Thursday, February 11, 2010

MCP – Manifesto à Cultura Portuguesa - O poder das palavras

Por acaso ainda não li um livro chamado “O poder das palavras” mas sei, de experiência própria, o quanto elas nos podem fazer sentir como se estivéssemos no paraíso ou como se estivéssemos a ser atacados com consecutivos tabefes.


As pessoas, pelo facto de saberem que podem falar livremente, esquecem-se que, por vezes, podem invadir a liberdade e tranquilidade dos outros e delas próprias com a força das suas palavras. Um bom exemplo é uma moda que se instalou especialmente nos últimos anos que é a utilização excessiva da palavra “complicado”. Será que ninguém percebe que o que torna as situações ainda mais difíceis é dizer repetidamente que algo é complicado?? Para já, vou-vos mostrar o significado desta palavra tão em voga. Se virem no dicionário o que é que significa “complicado” constatam que quer dizer:

adj.

1. Difícil de resolver ou fazer.

2. Enredado.

3. Entrelaçado.

4. Envolvido (como cúmplice ou participante) num delírio

... e se aprofundarmos ainda mais um pouco, vêem que “complicar” é:

v. tr.

1. Tornar complexo ou confuso.

2. Embaraçar, enredar.

3. Tornar mais difícil.

4. Intrincar.

v. intr.

5. Ser incompatível.

Será que agora que entrámos há uns tempos numa era em que a tecnologia facilitou tanta coisa, como é o caso das comunicações, tudo se tornou assim tão “complicado”?

Se uma relação amorosa não está a correr bem por motivos bastante banais, lá vem um dos namorados chateado com a situação dizer “Pois, eu até tenho tentado mas é complicado”. Se uma viagem para o Porto implica apanhar dois autocarros e um comboio para lá chegar lá vem o belo do português comentar “Realmente é bastante complicado chegar lá”. Se uma pessoa está com dores de cabeça durante uma hora, é engraçado... ainda se dá ao luxo de afirmar “Sim, esta dor de cabeça foi complicada”.

Não entendo... Esquecemo-nos que aquilo que andamos a dizer pode tornar tudo ainda mais moroso, doloroso e sem necessidade! São situações que têm solução! Não é preciso fazer tanto alarido.

Claro que há momentos na vida que são de facto complicados mas, daquilo que eu percebo vendo o significado da palavra, esses momentos não se repetem constantemente no dia-a-dia de todos, e volto a repetir de todos nós. Agora tudo é complicado? “Ai fazer um bolo que demore mais de uma hora é complicado”. Porque é que num periodo em que tanta coisa se tornou mais fácil, como a invenção dos telemóveis, da internet, de métodos inovadores de tratamento de doenças e muito mais, muitas pessoas estão convencidas do contrário?

Complicado é algo de subjectivo mas não vamos generalizar para situações que se resolvem facilmente ou com o tempo. Sei lá, complicado é estar deitado numa cama de hospital cheio de dores e saber que não há possibilidade de ficar bom ou estar há uma data de tempo sem trabalho com uma família para sustentar. Eu sei que são exemplos um bocado drásticos mas o que é um facto é que isso é que é lixado.

Outro caso é falar pela negativa. Lembro-me sempre de alguém muito querido quando penso neste exemplo e sei o impacto que tem nessa pessoa falar pela negativa. Perguntar “Não queres uma fatia de bolo?” ou “Não queres ir à praia?” pode ser rapidamente mudado por perguntas tão simples e mais positivas. Começar a perguntar algo com um “Não” dá é logo vontade de responder “Não”. Se me perguntarem “Queres uma fatia de bolo?” já parece que me querem mesmo oferecer bolo ou se eu perguntar “Queres ir à praia?” demonstra melhor que eu quero a companhia dessa pessoa.

Se as palavras magoam, nem que seja inconscientemente, porque é que fazemos isto a nós próprios e aos outros?

Falar pela positiva ajuda a ultrapassar o menos bom. Não é a solução final mas é um meio divertido.

Sunday, January 24, 2010

Turbilhão

Simplemente acontece...um turbilhão de pensamentos que tenta moer a minha existência. Nem pede autorização. Entra e tenta fazer aquilo que sabe fazer melhor: desmoronar o que foi construído, sentido, experienciado e estabilizado. Não tem piedade e quer-me mostrar que falhar é uma possibilidade que me vai sempre acompanhar. Não quero sentir simpatia por este turbilhão, nem quero deixá-lo comigo durante muito tempo. Só quero que este saia. Desaparece e deixa a minha vida. Larga-me para que eu possa volta àquilo que me faz continuar. Depois da rebeldia destes pensamentos ter passado por mim vejo que fui eu que abri a porta. Só eu é que posso fazer isto, só eu é que permiti isto.
Fechei a porta e apercebi-me que foi apenas uma passagem.

Saturday, January 23, 2010

Escolhe tu o título... eu bem sei qual é a dança;)

Estou misturada no meio do heterogéneo. Sei identificar algo forte e homogéneo...
Mudam as cores, mudam os cheiros mas a vontade de sentir algo é igual.
A intensidade pode variar mas todos os perfumes, danças e suores presentes pedem contacto, carinho e um suave deslize pela pista de dança. O calor sentido dentro da discoteca é humano. A necessidade de perceber este calor passa pela mente de muitos dos que estão presentes. Uns estão a dançar, outros meramente a observar ou até mesmo a vibrar sozinhos com a sensual batida da música. Os que dançam conduzem e são conduzidos, aproximam-se um do outro e sentem duas energias a formarem uma química, uma cumplicidade que os leva a uma segurança aconchegante até ao final da música. Os passos são variados e as músicas também. O que importa é deixar-me envolver e que o ritmo se encontre connosco.

Monday, January 22, 2007

SOMAR O SENTIMENTO

Segundo a física, não sei quantificar que tipo de energia que me demove,
Segundo a química, não sei identificar o tipo de substância que me comove,
Na matemática, limito-me a somar tudo de bom e a subtrair tudo o que me repele.

No meu ser, sinto algo que me agita mas apazigua o meu interior,
Aquece-me como um dia quente e húmido de um verão tropical,
Faz-me atrair algo de superior...

Descontrai-me como uma tarde de adoração ao sol,
Em conjunto com uns mergulhos no mar...

Sei o que sinto, mas porquê?
Porque é bom, sabe bem!